quarta-feira, 20 de abril de 2011

A obviedade do amor

Não sou mulher de rosas. Já disse de saída, no primeiro encontro, nem recordo a razão. Mas disse, naquele meu velho estilo metralhador de moços com olhos de promessa. Sei que disse, com meus reflexos ariscos de cão sem dono sempre buscando receosa a moeda de troca para qualquer elogio, a vigésima quarta intenção por trás de um rosto abandonado. Eu não queria ser mais uma na sua cama, por isso disse não gostar de rosas, tampouco das vermelhas, pra me afastar da obviedade do amor. Não sabia como, mas queria que você me notasse diferente de todas as outras.
E quando chegou o menino, com um chinelo de dedo verde e o outro pé com cor divergente e a tira desgastada, por entre as mesas cheias de casais que há tempos conjugavam suas relações com pronomes plurais e fofinhos, agarrado no balde vermelho transbordando rosas apaixonadas, bem, eu tremi as mãos e descobri o quanto era difícil engolir um escalope de alcatra, mesmo ao molho de vinho tinto.
E o menino pra você "esta linda morena não merece rosas vermelhas?". E você pro menino "não, obrigado". E levando mais um garfaço de escalope à boca, que bem podia perder o rumo e perfurar sua garganta, vai que por ali esguichasse alguma sensibilidade. E enquanto você sorria irônico dizendo "que bom que você não é mulher de rosas porque eu não desembolsaria cinco reais num troço que morrerá amanhã", eu só pensava que sua resposta correta pro menino sujinho com olhos bolivianos e famintos seria "sim, ela merece rosas, todas as rosas de todos os jardins botânicos da face terrestre, mas não, obrigado". Mas poderia ter sido pior, você poderia ter perguntado se o bolivianinho tinha fome, coisa que traria uma certeza obsessiva de que meu filho deveria nascer com sua barba cerrada recheando a covinha do queixo de qualquer maneira.
Clichês de amor são como venenos pra minha ingenuidade. Taí meu motivo de desconversar sobre rosas vermelhas, não importa se custam cinco ou mil reais ou morrem amanhã ou nunca mais. Rosas ou qualquer outra porra de amor, um livro, uma ligação, uma música, uma metáfora que o fizesse lembrar de mim ao menos concretariam meu chão, que quanto mais escorregadio, mais irresistível ficava grudar em você. Amar é um pouco fingir, por isso fiz tanta questão de dizer que sua mão sufocava a minha ou que não fazia seu tipo de mulher ou que não tava nem aí se você subisse pra um café na cama.
Mesmo assim, hoje senti uma puta falta sua, da sua pontualidade física, de todo bem que aquele maldito furinho no queixo me faz quando chegam juntos os fios de dois ou três dias. Eu não sei se rosas vermelhas ou qualquer metáfora que leio em livros-mulherzinha podem resumir o amor, mas quando penso em amor, vejo que ele deve ser transformador. Depois de você, eu mudei, isso é fato e como aconteceu ou quanto durou, não importa. Você pode seguir do outro lado da cidade sem me ligar e eu ficar aqui, arrastando o sofá até a porta pra que você não possa voltar. Mas agora tanto faz, as rosas morrem mesmo sem dedicar cinco reais ou sua vida inteira.
A grande ironia disso tudo é que continuo tentando pensar no amor como metáforas cheias de flores ou ausentes delas, lendo filósofos e poetas capazes de defini-los. Bem ou mal, eu vivo com ou sem você, mas o grande inconveniente é que o amor não pode ser medido sem os assobios irritantes enquanto você fazia xixi de porta aberta ou ficava horas fazendo coisas no seu maldito computador, ouvindo Morrissey ou Marvin Gaye. Se você vai, o amor vai junto e tudo volta a ser como era antes. Com ou sem rosas vermelhas, a presença é a obviedade do amor.


sábado, 16 de abril de 2011

Dia do Beijo

O dia 13 de abril é comemorado o Dia do Beijo. É difícil saber, ao certo, o que motivou a criação da data comemorativa, mas diz a história - verdadeira ou não - que o italiano Enrique Porchelo beijava todas as mulheres que encontrava na vila em que vivia, casadas ou não. Em 13 de abril de 1882, o padre local teria oferecido um prêmio em moedas de ouro às mulheres que não haviam sido beijadas pelo "Don Juan". Conta a lenda que nenhuma apareceu e que o tesouro está escondido em algum lugar da Itália até hoje.
A verdade é que é difícil não querer dar um beijinho em quem se ama, não é? Em muitas vezes, nem precisa ser amor, atração já basta para tirar o fôlego.
"O beijo é uma arma poderosa de sedução e pode ser considerado o termômetro do relacionamento", afirma Cláudya Toledo, terapeuta sexual e presidente da agência de relacionamentos A2Encontros. "Os relacionamentos normalmente começam com um beijo e o casal precisa dele para manter seu entrosamento, já que ele tem o poder de misturar a essência das pessoas através da boca, da respiração", acrescenta. 
E pra entrar no clima nessa data tão gostosa, nada melhor que algumas fotos para nos inspirar a distriuir beijinhos por aí. rs

Eu já perdi as contas de quantas vezes eu disse que iria desistir de você, que não me importo mais com você, e que não te amo mais. Mas tudo isso é mentira, e nós dois sabemos disso. Por mais que eu tente eu não consigo deixar de te amar. Eu evito te encontrar, eu evito pensar em você, mas é tudo em vão. Eu fico te procurando por semanas, tentando ver você por alguns minutos somente mas sempre quando eu quero muito te ver eu não te vejo. Aí eu falo que vou desistir de você, e você aparece. Talvez seja o destino, me mostrando que não devo desistir de você, mas e se for? Vai adiantar eu ficar lutando por você, sem que você sinta nada por mim? Nós dois precisamos sentir o mesmo sentimento, não basta eu te ver e você sorrir com o seu sorriso que é capaz de iluminar uma cidade inteira e ir embora, eu preciso de mais. Eu quero mais.ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ficaí

 Se dessa vez for amor, eu juro, não vou deixar o melhor pro fim. Então, ficaí. Sentado, com os braços cruzados, sem falar nada muito diferente ou contar sobre algum plano futuro. Só ficaí. Pode ser com aquela cara de brabo que inexplicavelmente me deixa com um puta tesão desgraçado. Ficaí sem pensar em nada, em ninguém, sem lembrar da infância na praia ou alguma ex-namorada ainda obcecadamente nostálgica pela sua cara de brabo.

Ficaí no meu sofá, bufando mais um pouco, dando oxigênio pra minha esperança. Ficaí e me pede qualquer coisa, água, meus pés pra caminhar, mais um pacote de doritos, um strip-tease, em casamento. Não dê conselhos. Não tenha recordações. Não queira ir em festas. Não assista futebol. Não pergunte as horas. Não crie teorias a respeito de nós. Não lembre do seu afilhado. Não pense sobre onde está indo isso. Não ligue pra sua mãe. Não fale dos seus medos. Não ame mais ninguém.

Ficaí, só ficaí, estacado, eternizado, cristalizado, como num coma induzido, talvez a única coisa capaz de te fazer diferente de todos aqueles outros homens da minha vida que faleceram e me deixaram enterrada em seus lugares.

Não sinta fome de nada, além de mim. Confia em mim, sem comida você dura vinte dias. Ficaí. Sem beber, você demora uns quatro dias pra morrer. Relaxa, ficaí, porque sem amar você pode durar a vida inteira sem ter valido a pena. Ficaí enquanto vejo uma maneira de não jogar pela janela todo tipo de amor que vem até mim tão fácil. Porque apesar da sua cara de brabo, você é tão fácil, tão leve, tão solto, tão tudo que eu sempre quis quando me agrarra pelo braço, me pega pelos quadris, mastiga todo meu corpo e cospe fora somente minhas mentiras, carências e toxinas.

Não quero usar aquelas frases de diário de colégio e dizer que o tiver de ser, será. Mas se tem uma coisa que não desejo de jeito algum é que um determinado dia, você demore um pouco e enrole antes de dizer que cansou de tudo, do meu sofá, do meu frango com gengibre, do meu jeito de não ficar satisfeita quando fico satisfeita, da permanência das minhas mudanças e diz que já vai indo, alimentando meu asco por últimos olhares em portas de elevador.

Da cozinha eu te vejo sério e minha bronquite já se manifesta contrária à ausência do hálito do seu papo calmo, curioso e um pouco engraçado, então fico pensando no que mais posso te oferecer pra você ficar aí. Burra, eu devia ter lotado meus armários antes de entregar mais uma vez minha dolorosa vontade de ser dois. Procuro um jeito de te manter descontraído morrendo de pânico que você só esteja distraído, misturando ausência com um tanto de curiosidade.

Parece exagero, mas é que você, poxa vida, só você conseguiu pular o muro de dificuldades que levantei em volta de mim quando as palavras dor, saudade, ausência, falta e despedida fizeram de mim uma menina de lata. Você e seus cabelos escuros e sempre meio ensebados de vir da rua, seu abraço com cheiro de confiança e seus sorrisos nada comerciais. Eu, menina com os pés no chão e sem teto, acabei de decidir que levar um choque térmico, atravessando bruscamente pro lado quente da calçada. Conto contigo. Então, ficaí.

Ando sendo carinhoso e cuidando tanto de um certo alguém mas sabe quando você sente que não é recíproco, que é sincero, mas que não é uma ponte entre dois lados iguais. tenho certeza que vou encontrar outro alguém que complete melhor esse meu lado politicamente incorreto de querer beijar a nuca do outro enquanto ele estiver dormindo numa noite fria de julho, vai que ele gosta e acaba se apaixonando por mim, não é mesmo?
Eu não sei contar muito bem, mas em matéria de amar sempre fui um bom aluno, um pouco injustiçado confesso, mas sempre um bom aluno. queria muito saber por onde andam aquelas carícias que você prometeu me dar no dia de ontem, mas que ficaram no anteontem quando você prometeu. tenho amor demais e paciência de menos, pra não discutir inutilmente sobre o que você está careca de saber eu prefiro dormir.
Quero um amor novo, de novo. quantas vezes se pode repetir essa mesma frase? queria me acostumar a viver sempre na incerteza, mas a vida nos torna muito teimosos e sempre esperamos que algo aconteça. você não sabe mais já acordei gritando seu nome vez em quando por aí.
sou romântico, um pouco safado demais, carinhoso, penso demais no bem do outro e acabo esquecendo do meu próprio bem, vivo em uma incerteza que juro que não pode existir do tanto que é incerto, fecho meus olhos e choro às vezes por nada, simplesmente por nada. vez em quando vou começar a pensar em mim, prometo.

- Douglas Lenon
"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"

Eu sei como é ...

Eu sei como é se segurar e deixar para chorar só quando ligar o chuveiro, assim ninguém percebe. Eu sei como é refletir sobre a vida antes de dormir e se certificar de que ninguém está ouvindo para começar a soluçar. Eu sei como é sofrer tão dolorosamente que as vezes você precisa fingir que vai ao banheiro, ou beber água, apenas para lavar o rosto e se recompor. Eu sei como é ter os olhos úmidos e aquele medo de que não seja forte o suficiente para segurar as lágrimas quando está em público. Eu sei como é sentir aquele nó enorme na garganta, que te sufoca, até que você cede e chora. Eu sei como é sentar na cama, pegar o travesseiro e chorar tanto, mas tanto, que se surpreende com o rio que terá que esconder da sua família. Acredite, eu sei como é tudo isso.

terça-feira, 8 de março de 2011

Agora...

Sonhe comigo até tornarmos, então, realidade. Sem mais sorrisos forçados, sem mais palavras pensadas, sem mais choros contidos, sem mais eu e você para sempre. Vamos esquecer o passado e não pensar no futuro, só temos que viver e apreciar o presente. Sendo assim, sem esforços, faremos dele melhor do que já é hoje. Parabéns, você conseguiu. Tem meu coração, e dessa vez é por completo. Só me promete uma coisa? Não o destrua de novo. A primeira vez foi suficiente para que eu me questionasse se valeu à pena. Mas agora, eu não tenho mais dúvidas, eu faria tudo sem pensar em arrependimentos porque eu sou um maluco, obcecado e apaixonado por você.

segunda-feira, 7 de março de 2011

here is nothing to talk or feel.


Teoricamente é outono. Teoricamente não se deve se chatear com a ausência, ou ao menos ligar pro desconhecido. Mas nada teórico se aplica realmente a realidade, certo? 
Já me disseram que aquilo que você não sabe dizer o que é, não existe. E me disseram também que isso é uma bela mentira, e eu não vou discordar.
O problema é que, as vezes, sem estarmos preparados, algo se mexe dentro de você. Algo viscoso, que se contorce e que te sufoca até você não conseguir sentir mais nada, você apenas se concentra nesse incomodo que se transporta por todo seu corpo. É como um desconforto sem fim e que ninguém sabe como veio ou o seu fim. Tenho a leve impressão que isso se chama pressentimento, ou quem sabe a perda. Não faz muita diferença porque seja lá o que for tem um gosto de fel e  tira o oxigenio. 
Odeio me sentir assim. Odeio esse feto de amargura e desconforto em meu âmago.
Odeio mais ainda não encontrar as palavras certas pra esse indefinido. Ou melhor as palavras certas para o indescritível. 
 

domingo, 6 de março de 2011

Acordar

Romance por destino, era disso que aquela garota estava entendendo nesse momento. Ela havia descoberto os olhos mais brilhantes, o abraço mais sincero. Em um olhar ele transmitia tanta segurança, as palavras transmitiam verdade, ela estava em um sonho profundo.. Bem vamos chamar de sonho, por que um dia ela acordou para a realidade. A realidade nunca é muito boa, não é mesmo?! A sua realidade não era bem como o seu sonho, agora os mesmo olhos faziam ela chorar, as mesmas palavras outra ouvia, e o mesmo abraço… bem ela nunca mais sentiu aquela abraço. Sonhos são ótimos, o ruim é quando acordamos para a realidade.


“O pior de fugir de si mesmo é que cedo ou tarde, você se encontra. E quando se encontra, percebe que aquilo que você deveria estar correndo atrás acabou de ser encontrado. Por outro alguém. E, isso sim, é triste.”      


Lucas Silveira

Carlos Drummond de Andrade

"Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa."
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

# O Quereres - Caetano Veloso

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em ti é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente impessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

Fernanda Young.


“A verdade é que, enquanto você estiver assim,
nessa interminável agonia, esperando notícias que nunca chegam,
vai deixar passar várias possibilidades interessantes ao seu redor.
Claro, ninguém se compara a quem você aguarda, mas quem você aguarda
não está disponível no momento. Poderá, inclusive, nunca estar, apesar de
tudo o que foi dito naquele dia. Pessoas que somem não são confiáveis.”

Fernanda Young.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

sinto falta..

Bem eu não sei quanto tempo faz que eu não sinto teus olhos, bem.. só de pensar em você, meus olhos se enchem de lágrimas, eu nunca saberei amar tanto alguém, eu sinto falta das risadas, do teu olhar, eu sinto falta de tudo relacionado a você.

Tati Bernardi


Semana passada liguei pro meu melhor amigo e convidei para um cinema. A gente não se falava desde o ano novo, quando tudo deu errado pro nosso lado. De tempos em tempos sumimos, falamos umas coisas horríveis de quem se conhece demais. Ele topou desde que fosse daqui pra frente, preguiça de conversar da briga e tal. E fomos. Cheguei antes, comprei. Ele chegou depois, comprou água. Porque eu comprei os ingressos, ele comprou também uns doces e disse que pagaria o estacionamento. Porque ele pagaria o estacionamento, eu disse que daria a carona da volta. E com meu coração tão calmo eu voltei a sentir o soninho de sofá de casa com manta que sinto ao lado dele. A gente não se beija nem nada, mas quando vai ver pegou na mão um do outro de tanto que se gosta e se cuida e se sabe. Já tivemos nossos tempos de transar e passar nervoso e aquela coisa toda de quem ama prematuramente. Mas evoluímos para esse amor que nem sei explicar. Ele me conta das meninas, eu conto dos caras. Eu acho engraçado quando ele fala "ah, enjoei, ela era meio sem assunto" e olha pra mim com saudade. Ele também ri quando eu digo "ah, ele não entendeu nada" e olho pra ele sabendo que ele também não entende, mas pelo menos não vai embora. Ou vai mas sempre volta. Não temos ciúmes e nem posse porque somos pra sempre. Ainda que ele case, more na Bósnia, são quase quinze anos. Somos pra sempre. Ele conta do filme que tá fazendo, eu do livro. Os mesmos há mil anos. Contar é sem pressa de acabar. Se ele me corta é como se a frase que eu fosse falar fosse mesmo dele. É um exibicionismo orgânico, como se meu silêncio pudesse continuar me vendendo como uma boa pessoa. São quinze anos. É isso. Ele me viu de cabelo amarelo enrolado. Eu lembro dele gordinho e mais baixo. Ele sempre comprou meus testes de gravidez, mesmo a suspeita nunca sendo nossa. Eu já fui bem bonita numa festa só porque ele queria me fazer de namorada peituda pra provocar a ex mulher. Minha maior tristeza é que todo novo amor que eu arrumo vem sempre com algum velho amor tão longo e bonito. E eu sofro porque com pouco tempo não consigo ser melhor que o muito tempo. E de sofrer assim e enlouquecer assim, nunca dou tempo de ser muito para esses amores porque estrago antes. Mas meu melhor amigo é meu único amor. O único que consegui. Porque ele sempre volta. E meu coração fica calmo. E ele vai comigo na pizzaria e todos meus amigos novos morrem de rir porque ele é naturalmente engraçado e gente boa e sabe todos os assuntos do mundo. E todo mundo adora meu melhor amigo. E eu amo ele. E sempre acabamos suspirando aliviados "alguém é bobo como eu, alguém tem esse humor" e mais uma vez rimos da piada que inventamos, do pai que chega pro filho e fala: sua mãe não é sua mãe, eu transei com outra". E esse é meu presente dessa fase tão terrível de gente indo embora. Quem tem que ficar, fica.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

É quando mais quero falar que eu menos digo,
é quando mais quero tentar que menos consigo,
é quando mais quero entender que menos explico,
É quando mais penso sentir que menos duvido.
Enquanto mais e enquanto menos, é quando persisto...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Agradecimento

Olá gente, tudo bom? Hoje, estava olhando meus comentários e recebi um de uma fofa, que sempre deixa sua marquinha por aqui, a Renata Cundari  . E adivinhem só, ganhei dois selos por indicações dela. Dá pra acreditar? rs
Renata minha linda, gostaria somente de te agradecer por gostar e acompanhar meu blog. Meu não, nosso! Porque você faz parte dele .. Suas dicas, sugestões e tudo mais serão sempre bem vindas, viu? Claro, não só as dela como as de todos vocês, me sentirei honrada com a participação de todos. Postarei os selos e com eles as regrinhas ok?
Beijos e obrigada mais uma vez, à todos! s2

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


Coitados de vocês homens que jamais saberão como é gostosa a sensação de sempre ter a preferência. Vocês que nunca poderão pôr a culpa na cólica ou na TPM; que jamais verão graça em perder um dia todo no shopping, só vendo as vitrines. Homens, que não sabem como é revigorante falar sobre todo e qualquer assunto com suas amigas; que não têm ideia de como é traumatizante quebrar uma unha; não entendem, de verdade, como é triste acordar com o cabelo oleoso. Vocês, homens, tão ingênuos, nunca enfrentarão a indecisão na hora de escolher um esmalte. Não irão, nem ao menos, poder seduzir alguém fazendo somente um biquinho de birra. Homens, que acreditam ser superiores, nem sabem como é gostoso e, ao mesmo tempo, cruel estar sobre um salto agulha. Ficarão a vida toda sem saber como é bom ser abraçada por um homem alto e largo, com braços grandes e fortes. Homens, meninos, caras, garotos. Nunca, nunca entenderão quão importante é passar lápis nos olhos antes de sair de casa; quão triste o final de “O Diabo Veste Prada” realmente é; quão sexy um cara inteligente pode ser. Jamais terão ideia de como é legal não precisar atravessar a rua na faixa, já que alguns caras doentes param pra que você possa passar. Vocês, inocentes, que não imaginam quantas coisas descobrimos durante nossas conversas rotineiras de banheiro; que não sabem como é gostoso morrer de chorar com um pote de sorvete no colo. Homens que jamais poderão reclamar de um corte na perna feito pela gillette durante o banho; que jamais perceberão como é difícil entender um cara; que jamais poderão gritar ao ver uma barata ou qualquer outro inseto; que jamais, jamais mesmo, poderão ficar em casa só de baby look e calcinha. Vocês, machistas, que nunca sentirão a tão comentada, e totalmente feminina, dor da rejeição; que jamais saberão como é triste viver sendo paranóica, ciumenta e temerosa de ser substituída. Jamais esfregarão uma perna na outra, tentando afastar uma leve onda de excitação repentina; jamais saberão como é gostosa a sensação que te obriga a morder os lábios ao ver o peito nú de um cara gato; jamais entenderão o prazer existente que há em ler um romance. Homens, pobres homens, que não sabem, nem nunca saberão, como é gostoso chorar quando há um cara realmente preocupado contigo te abraçando; como é revigorante usar um vestidinho leve quando o calor está infernal; como é comum e extremamente natural o ato de chorar até dormir, molhando todo o travesseiro. Vocês, garotos, que nunca terão ideia de como nossos assuntos são interessantes e, mais do que isso: masculinos. Nunca poderão ficar o dia todo com as pernas cruzadas. Nunca poderão cantar loucamente, mesmo estando sozinhos, refrões como “HOW DO I GET YOU ALONE?!” e, portanto, nunca entenderão como é gostosa a sensação de gritar enquanto se canta. Nunca poderão fazer vozes estranhas enquanto brincam um bebê ou um animal. Nunca, nunquinha, vão poder passar um batom básico porque acordaram com a boca sem cor, e, devido a isso, jamais saberão como é revigorante acordar dispondo de uma rica quantidade de batons - úteis ou não. Homens, simplesmente homens, que jamais ganharão um vibrador de aniversário de sua amiga mais íntima; que jamais entenderão como é frustrante usar uma calça com a calcinha marcada; que jamais poderão sequer abrir a boca para reclamar sobre dores abdominais, já que nenhum homem fala isso; que jamais poderão xingar outros homens que arrotam no meio das refeições; que jamais saberão como é gostosa a sensação de saber que o cara tá afim de ti e ficar somente provocando. Homens que nunca poderão reclamar de uma garota-sem-atitude; que nunca poderão fazer ballet sem serem julgados; que nunca entenderão nosso mundo; que nunca entenderão que, para nós, coisas pornográficas (como revistas, filmes etc) são motivos de risos e não de tesão; que nunca saberão como é bom ficar excitada sem aparentar. Garotos, coitados de vocês, que não podem bater na bunda de ninguém; que não podem falar sobre certos assuntos com seus amigos; que não entendem a graça fantástica por trás de Romeu e Julieta e acham que é somente mais uma mera história romântica barata. Pobres são vocês, homens, sempre tão garotos, que são completamente abatidos por uma gripe básica e dizem ser fortes. Meninos, coitados, que têm que lidar com todos os pensamentos de garotas ao longo de suas vidas sem jamais conseguir entender um deles sequer. Vocês entenderiam se não fossem meros meninos.

Autora Desconhecida.

Saudade...

Saudade não é o que a gente sente quando a pessoa vai embora. Seria muito simples acenar um ‘tchau’ e contentar-se com as memórias, com o passado. Saudade não é ausência. É a presença, é tentar viver no presente. É a cama ainda desarrumada, o par de copos ao lado da garrafa de vinho, é a escova de dentes ao lado da sua. Saudades são todas as coisas que estão lá para nos dizer que não, a pessoa não foi embora. Muito pelo contrário: ela ficou, e de lá não sai. A ausência ocupa espaço, ocupa tempo, ocupa a cabeça, até demais. E faz com que a gente invente coisas, nos leva para tão próximo da total loucura quanto é permitido, para alguém em cujo prontuário se lê “sadio”. Ela faz a gente realmente acreditar que enlouquecemos. Ela nos deixa de cama, mesmo quando estamos fazendo todas as coisas do mundo. Todas e ao mesmo tempo. É o transtorno intermitente e perene de implorar por ‘um pouco mais’. Saudade não é olhar pro lado e dizer “se foi”. É olhar pro lado e perguntar “cadê?”. 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento.
Por que não?
Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí?
Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas.
Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas.
Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.

A beautiful Mess

Você tem o bom de ambos mundos, você é o tipo de garota que consegue derrubar um homem e levantá-lo novamente. Você é forte mas é carente, humilde mas ganânciosa. Baseado em sua linguagem corporal,
sua maneira gritante que tenho lido, seu estilo é um tanto seletivo, apesar de sua mente ser certamente imprudente. Bem, imagino que isto sugira que isto é apenas o que a felicidade é.
"Ei, mas que bagunça bonita, é isto, é como se pegássemos lixo em roupas."

Bem, isto meio que machuca da maneira como você escreve estes tipos de palavras, meio que torna elas em facas e não me importa minha coragem, você pode chamá-la de ficção porque eu estou meio que submerso em suas contradições querida, porque aqui estamos nós. Embora você fosse tendenciosa, eu amo seus conselhos, suas voltas, elas eram rápidas e provavelmente tem haver com suas inseguranças. Não há vergonha em ser louco, dependendo de como você encara isso. Palavras que parafraseiam esta fase do relacionamento em qual estamos.
"E isto é uma bagunça bonita, sim isto é como se estivéssemos pegando lixo em roupas."
Bem, isto meio que machuca da maneira que você diz essas palavras, meio que torna elas em lâminas e a bondade e cortesia é uma vida que ouvi.  Mas é bom dizer que nós brincamos na sujeira porque aqui estamos nós. Nós ainda estamos aqui
E que bagunça bonita isto é. É como tentar adivinhar quando a única resposta é sim.
E através de palavras eternas em quadros sem preço, nós voaremos como pássaros que não são desta terra;
E como marés que giram e corações que desfiguram mas isto não é nenhuma preocupação quando nós estamos feridos juntos e quando tivermos rasgado nossas roupas e manchado nossas blusas, mas é agradável hoje, a espera realmente valeu a pena.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não me importo ...

Não me importo mais com o que tem feito da tua vida e nem das tuas noites. Não ligo em saber com quem tu andas ou com quem deixou de andar. Eu não me importo. 
Não ligo para essa ausência que insiste em ficar, nem quero saber quando ela vai passar. Eu não me importo.
Já não faz mais diferença o celular tocar, a caixa de mensagens cheia, não tem jeito. Eu não me importo.
Se você é de Escorpião e eu sou de Áries, quer saber? Eu não me importo.
E não, dessa vez eu não tô fugindo e nem vou sumir, eu só estou fazendo o que deveria ter feito desde o começo: Não me importar. E por mais que isso doa mais em mim do que em você, eu não me importo. E pra falar a verdade, eu não me importo com nada.
Não quero saber se o flamengo ganhou algum jogo no final de semana. Não ligo da insónia que me persegue, cansei de você, de mim, de todo mundo. Cansei mais ainda da mesmice, desse contentamento com tão pouco. Cansei dessa vida que acordou meio sem graça, cansei até da lua que eu amo tanto. Eu cansei, acordei entediada, pensei, pensei e pensei mais um pouco, e só achei uma saída: não ligar.
Cortar os laços, desfazer os elos, deixar cada um fazer o que quiser. Afinal, os dias são teus e a vida também.
Não sei se me sinto mais leve, mais vazia ou mais inconstante. Só sei te dizer que o o alívio de deixar a mente como uma página branca é inexplicável.
Talvez isso dure dois minutos ou duas horas, ou quem sabe, em alguns segundos minha cabeça já esteja habitada pelos pensamentos mais absurdos. Tem coisas que acontece em mim e que nem eu sei explicar. Pode ser algum tipo de loucura camuflada, ou só uma fase na vida em que você já não sabe o que vale a pena possuir.
O que eu quero te dizer é que acordei assim, sem me importar. 


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um conto de verão.

Romântica como insisto ser, sempre achei que amores como o nosso não eram reais e muito menos dariam certo. Eu pensava que nunca ia me apaixonar de verdade.. e foi aí que você me apareceu. Do nada e como quem não quer nada, foi preenchendo cada pedacinho de mim, sem a menor pressa e sem medo de qualquer envolvimento ou rejeição. Eu que tinha tanto medo, já sabia que te amava. Não digo que foi a primeira vista e sim, à primeira palavra - é, você vai entender -  E foi aí que meu medo aumentou ainda mais. Me lembro como tudo começou ... Nosso primeiro contato, primeiro beijo, primeiro telefonema, primeira briga e primeiro "eu te amo". 
Tudo "começou" naquela festa, na qual eu não conseguia falar com você, e contra a minha própria "vontade" você veio e foi o mais cavalheiro e gentil, e me beijou o rosto ... e aquela imagem ecoa na minha mente até hoje, como se fosse ontem. Após alguns meses sem nos ver, o destino resolveu brincar com a gente não é mesmo? Quem diria que naquela noite quente de verão eu iria te encontrar em meio a tanta gente?! E ainda pensei que fosse engano e "fugi" de você, se lembra disso amor? Pois é, eu sim. Não esqueço um detalhe sequer daquela noite ... Poucas horas depois, foi a sua vez de me encontrar e você sim, corajoso como sempre, não hesitou em falar comigo. Se não fosse você nada do que estaria por vir existiria. E alí, após aquela troca de olhares e meias palavras, todo o mundo ao nosso redor desapareceu. Eramos só eu, você, a lua e as estrelas... embalados pelo suave som das ondas do mar. O que me fez ir para casa em estado de transe total. Pena que meu conto de fadas acabou aí. No próximo dia eu voltaria para a minha cidade e você continuaria alí por mais algumas semanas. Lembro da ansiedade enlouquecedora de saber: “Foi só um beijo?". Rezava para que a resposta fosse não e assim segui, fui embora sem ao menos esquecer o ocorrido da noite passada. Assim que cheguei, como de hábito, fui direto para o computador conversar com alguns amigos e para a minha surpresa tinha uma mensagem offline sua amor, dizendo mais ou menos assim: "Não consigo tirar da minha cabeça aquela cena, lembro de cada palavra sua, cada gesto .. só pra você saber, quero te ver denovo!"
Não sei ao certo quanto tempo se passou, tive a imprenssão de terem sido horas, mas enfim .. depois desse tempo muda e sem mover um músculo qualquer, posicionei minhas mãos no teclado para  te dizer algo à altura sem demonstrar que eu estava delirando de tanta felicidade; e assim que enviei, pra minha surpresa novamente, você respondeu logo em seguida, ou seja, estava online. E eu que havia ensaiado milhões de frases pra te dizer com o tempo e algumas até pra evitar uma intimidade maior, me mostrei insegura e indefesa, querendo apenas mais um carinho seu, cedendo a todos os seus encantos. 




sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Nando Reis e Cássia Eller - Relicário

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Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se pôr
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for...
Essa noite to indo dormir "vazia" com falta de alguma coisa, com saudade de algo que nao existiu. Hoje meus sentimentos estão mais exaltados, com pressa de solução, com vontade de carinho, não precisava ser amor .. Porque do amor eu já nao espero mais nada.Talvez você canse de certas coisas, mude um pouco seus sentimentos e venha novas escolhas que fique com medo.. " Mas se for por comôdo,desacostume-se ".
A mudança nos renova em todos os sentidos. Não quero ir dormir me sentindo a mais amada por alguém, pode ser por mim também, quero ir dormir hoje ou queria, feliz e acordar feliz mas sem motivos.. Queria ver filmes de romance mais não queria chorar com eles me imaginar neles, então hoje sem filmes desses tipos.
Queria só conseguir não pensar tanto e ficar sem saber nada..

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011


Eu olho para você onde quer que eu . 
Com a esperança de esbarrar em você. 
Fora eu nunca te vejo. Você não está .
  Você nunca está .

PS: Eu te amo!


Compartilhamos alguns lindos momentos juntos e você fez minha vida… você fez minha vida. Não tenho arrependimentos. Mas sou somente um capítulo em sua vida, haverá muitos mais. Guarde nossas maravilhosas lembranças, mas, por favor, não tenha medo de construir mais algumas.

O Sedutor

 
Ele vai te olhar com os olhos de um husky siberiano, prestes a pular sob a caça.  Profundo, certeiro, bem no meio do alvo - que na verdade, é você. Como se a visse com algum raio-x, despida. Depois de hipnotizar com seu par de bolitas (que nem ao menos precisam ser azuis, verdes ou cor de mel, mas sim, penetrantes) irá  rosnar um sorrir com os dentes à mostra, largo; como se você fosse uma conhecida de tempos que para ele, é um prazer rever. Familiarizado com a situação, e com mais uma presa em mais uma noite que com toda a certeza solitária não seria.
A beleza não é uma característica, mas sim, agente secundário nessa equação que a deixa no final sem resposta exata. Este tipo costuma ser dotado mesmo é de um charme que foge às suas explicações. O que é que ele tem, pergunta a amiga desconfiada. Borogodó, um tchan a mais, qualquer coisa que eu não tinha visto por aí ainda, mas que na rede caí: não como um patinho, mas como sereia que conhece o perigo dos mares e ainda assim, por aí faz questão de mais fundo mergulhar.
Ele tenta você com sua abordagem direta, confiante. Se sente o ponto único do universo com seu umbigo malhado, sua auto-estima enorme e eu ego quase sempre massageado. Por mais que você sinta no seu perfume inebriante o tamanho da cilada, em conjunto aos tão bons e grandiosos diferenciais e tente ecapar isso só o fará ir ainda mais à sua caça. Caça sim, porque para o Don Juan tudo é um grande desafio e o que conta mesmo é a dificuldade: quanto maior, mais estimulante. Você percebe que ele não é apenas um rostinho bonito e que tem até mesmo um bom gosto admirável quando além de ser irresistível, ele amostra um humor bom, possível e adequado, sem piadinha fúteis e mal colocadas, ou trocadilhos, quase sempre infames. Faz de seu ouvido um porto onde suas palavras chegam sussurradas, e mesmo que ele esteja comentando como é rídiculo o jeito de tragar o cigarro do moço à frente, para você será o mesmo que Mick Jagger cantando. Quem sabe, Jim Morisson, Al Pacino; fica a seu critério a escolha do que a fará ter vontade de dançar, mais tarde.
E então que você cai de amores, e mesmo que hesite, ele a fisgará. Por uma noite, um momento, uma semana, dois anos. Sem nunca firmar um compromisso, porque seu alarme é ativado a qualquer 'benzinho' ou comida que você faça de surpresa, e os pratos na mesa, vestida de avental. Ligações inesperadas, demonstrações de afeto seguidas de brigas sem motivos infundados baixam consideravelmente o tesão que o moço sentirá em ter a sua companhia, o seu corpinho, inteligência e qualquer aspecto que envolva você na vida dele.
O mesmo cara que a fez sentir a mulher mais completa e maravilhosa dentre todas as galáxias - que a gente nem sabe quantas são e se existem outras - será o que depois de algum tempo, se tornará cada vez mais frio. Ou sumirá. Que a deixará louca e sem respostas, sofrendo com um coração ingênuo que acreditou em toda a verdade perfeita que parecia possível, à frente. A fuga, iniciou seu processo e planejamento já nos primeiros sinais de apego e sentimentalismo da sua parte. Você é que não viu, cega pelas flechas que cupido alçou em sua direção.
Ele a seduziu, mas como é mestre em se desprender do que quer que seja, tamanha sua experiência em conquistar e logo partir para a próxima ventura, você não terá nem ao menos a chance de fazer com que o mesmo husky siberiano que a apreendeu com o olhar no seu colo se aquiete. Sua facilidade em preencher páginas com telefones de iscas já antigas não é a mesma de estabelecer um compromisso estável, duradouro. O que conta para ele é a ação, a novidade, o desconhecido. Quando então você passa a fazer parte de uma rotina em que ele a inseriu, mas se desgastou, com a maior crueldade do mundo que você até então não sabia existir, ele a tirará da sua vida. Como uma peça de xadrez, descartada. Feito uma página, virada. Você ficou no ontem, que foi o passado. E esse homem quer é o futuro, quer saber ainda dos tantos troféus que temporariamente colocará em sua estante - para logo depois, também dá-los à doação.
Algum dia, você lembrará desse mesmo homem com algum carinho incompleto do que poderia ter sido, mas não foi. Verá que tudo não passou de um sonho juvenil, de uma pirraça sua por um coração que nem ao menos amadurecido tinha. Poderá perceber ainda que a sua vida apenas progrediu depois deste enorme aprendizado, provação do destino que a deixou perceber o quão forte e guerreiro é esse sentimento, que mesmo devastado, se reacendeu. Quanto ao sedutor? Algum dia, por travessura do acaso, a verá feliz nos braços de alguém que conseguiu a fazer feliz, completa. Mulher. Sentirá uma inveja ressentida de toda essa alegria cúmplice que a vida a devolveu. E se perguntará o que fez de errado, o que tem o rapaz. Nada demais, tudo para você. Ele com sua agenda cheia de contatos de one night stand e booty calls que não preenchem o vazio de uma noite fria, sem jantar na mesa e um 'benzinho' para ouvir. Você, completa com um amor recíproco, bom. Justo. Dizem mesmo que a gente faz nossos caminhos, e que eles provém inteiramente de nossas escolhas. Hoje eu acredito.

Tati Bernardi

“Minha vontade agora é sumir. Chamar você. Me esconder. Ir até a sua casa e te beijar e dizer que te amo e que você é importante demais na minha vida para eu te abandonar. Sacudir você e dizer que você é um otário porque está me perdendo dessa maneira. Minha vontade é esquecer você. Apagar você da minha vida. Lembrar de você a cada manhã. Pensar em você para dormir melhor. Então eu percebo: IT’S ME, e minhas vontades são bipolares demais. Só o que não é bipolar demais é a minha ganancia por te ter. Sim, eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você. Se a vida acabasse hoje ou daqui mil anos, eu escolheria você...”
Tati Bernadi

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

C(s)into

 
Puxo o cinto de segurança, e prendo do lado esquerdo. Acima o meu peito, a faixa que promete me assegurar de acidentes e maledicências - ironia quem sabe, por estar ao seu lado e isso me fingir uma proteção (frágil). Sem me mover, assisto à toda sua concentração em analisar a vaga, retirar o carro, trocar de marcha, e ter cuidado ao virar o volante; o abano ao porteiro do prédio. É dia, e a cidade ainda vazia. É cedo, e o silêncio matutino parece fazer com que tudo pare apenas para nos assistir. Nessa manhã onde desde o gosto na boca, o sabor de diferença impera os sentidos . De acordar e em silêncio, te observar também quieto, vendo quem sabe esse meu lado que tenho e não revelo - de ser calada, quando convém. Pensar que é verão, e mesmo o calor insuportável lá fora, com você as paredes que nos cercam traduzem a amenidade que sinto, nessa sua presença leviana. Ver você em mim sumindo, da minha vida se tornando cada vez mais turvo, inexistente, é querer abraçar com todas as forças os últimos momentos, os minutos finais, e você bem forte, para quem sabe nesse enlace te reavivar para nós, te reafirmar para mim: não te perder nesse baú do inconsciente, que chamamos memória. Quando você me largar na frente de casa, e parar por segundos para me gravar para os tantos dias que irão nos separar, vou querer ficar nesse momento tempo demais do que ele na realidade dura. Sei que fantasiarei como quando se você estivesse aqui, e eu pudesse pegar a sua mão e caminhar pelos jardins, por entre as praças que, silenciosas, nos ouviam passar colorir os desvios dialogando idéias e subterfúgios. Noites em que, com a inspeção dos seus olhos, deitei a cabeça no braço do seu sofá, e quase adormecida, sentia a completude de todo esse patamar; que desbravo sempre, e até me surpreendo - mas que não suporto ser sempre descoberta e encantada, para logo depois lidar com essas perdas que nem ao menos sei se algum dia me pertenceram realmente. Nesse seu carro que mais flutua que anda, a sensação é de estar à caminho do céu, e frear bruscamente na esquina da minha casa, quase no estacionamento ao lado. Parada obrigatória, falha mecânica, falta de combustível. Eu presa; não tanto pelo cinto, mas por você e esse seu jeito pacato de não dar bola pra nada na vida, enquanto eu sou a preocupação excessiva, o caos em forma humana - uma aflita explosão. Presa fácil, que você rodeia, rodeia, faz de distante e surpreende quando perto, mas cativa. Mesmo irresponsável, cativa. Sua voz que abranda e diz: tenha um bom dia. Enquanto tudo que o pensamento consegue concluir é que, sem você, dia nenhum vale a pena ser condecorado na agenda com frases sem nexo, apaixonadas. Estancada no que sinto, e faço questão de não falar, apenas pensado: não vai, não vai, não vai. Mesmo assistindo à tantas partidas, dizer esse adeus é a fala que não me sai da boca, o sentimento de perda que não aprendi a abrigar. Sendo tantos, não aceitando mais da metade.
Minhas mãos entrelaçadas no final do seu cabelo, como quem não quer soltar um momento, mais uma pessoa, alguma existência que a vida tem me ensinado, e eu, fiel aluna, compreendido. Sem aguentar mais uma perda para aviões lotados, e cidades imundas. Nesse abraço que dura tanto tempo que pessoas surgem, carros buzinam, e a cidade volta ao ritmo enlouquecedor de todo dia que não é santo mas faz calendário, é que a gente se prendeu por algum momento que me faz ainda pensar se a volta algum dia foi marcada e o aviso ainda não chegou aqui. Por enquanto, me sinto carcerária: pouco por essa faixa que me prendeu de você, em seu itinerário; muito por esse sentimento que brotou e me preencheu, na hora menos esperada. Com as chaves em mão, volta e me busca, moço. Tira essa melancolia que deixou na liberdade provisória que me autoconcebi, traz no regresso algum sentido pra essas idéias que se não são em você, se tornam todas desviadas, tiros ao léu. A sua alegria, a minha espontaneidade. Sua calmaria, o meu furacão. Volta que perder tempo é burrice, você é saudade, e momentos como aquele, o meu chão.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Precaução

Percebi hoje, que tenho que me acostumar com a sua ausência.
Não é medo, e precaução.

Não quero sentir necessidade, de nada que eu não possa controlar.
Não é egoísmo, é precaução.

Mudarei minha frase predileta, para que ela não tenha nada de você.
Não é plágio, é precaução.

Deixarei o casaco na bolsa, para quando sentir frio e seu abraço não for mais uma opção.
Não é ansiedade, é precaução.

Não tomarei mais banho quente, para que o vapor não me sirva de papel.
Não é frescura, é precaução.

Tirarei o álbum de retratos antigos da gaveta, para que você não seja minha única lembrança.
Não é masoquismo, é precaução.

E que as mudanças que estão para chegar, não mudem meus planos.
Mais uma vez.

# Sixpence None The Richer - Kiss Me

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Oh, kiss me beneath the milky twilight.
Lead me out on the moonlit floor.
Lift your open hand.
Strike up the band and make the fireflies dance,
Silver moon's sparkling.
So kiss me.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Orgulho

Foi logo no começo, e eu vi que você não seria fácil. Não pelos rodeios na fala, nem o sorriso de lobo. Quem sabe, pelas fugas retornadas. Pensei, um pouco anestesiada e outro tanto como mãe quando com dor de cabeça que: vai ter despesa. Vai ser amor fiado, dívida não paga. Cheque que volta: sem fundos. Só eira, nenhuma beira para se firmar. Ora amor; outro tanto sumiço, ódio, reviravolta.
Hoje eu sinto uma vontade de que você volte como com gosto de começo, florescimento de início: desabrochando no meu peito qualquer galho ou ramificação que hoje sobrevive por aparelhos e não consigo desligar. Detesto ainda mais a nostalgia que essa época do ano remete. Relembrar tudo que prometeu e não decolou, avaliar cada erro do que já parecia caso encerrado. Reabrir o processo. E continuar exercitando a esperança, como sempre fiz. Pensar que de repente, entre familiares e presentes, ilumine a idéia e reflita: fui idiota, quero voltar. Com atos impensados, e desmedidos. Buquê de flores, cartão, ligação imediata. Mesmo o caminho atribulado, opositor. Com pontes quebradas, e asfalto já escasso. Mas você conserva apenas essa soberba desprezível, se colocando no pedestal mais alto possível, o qual caí enquanto tentava escalar a sua altura - sempre em vão.
Pela primeira vez, passei por entre comércios e bancas, e adquiri o arquinimigo número um do perdão. Tudo porque, meu erro foi em não pecar somente uma única vez. E me desculpar a cada pequeno erro, tão logo fosse possível, carecida de piedade.
Assistindo ao seu descaso, e ascensão própria, se pensando o rei não só da cidade, como da vida e situações corriqueiras. Praticamente, dono do universo. Eu, e meus pés no chão, querendo voar. Você galgando o impossível, o mais alto dos céus. Se orgulhando apenas de si próprio, e não de quem queria de alguma forma ter uma foto sua na carteira ou no mural do quarto. E agora eu caminho, enquanto sei da sua tentativa em voar. Trilho minha rota a cada dia, e você gira em círculos, no cerco pequeno em que se fechou. Com alguma luz, que não aceita e nem ao menos vê. Num momento de fraqueza, tento o que já sei ser fracasso. Escuto tua voz, finjo o que imagino, fantasio situações. Tremo. Meses depois, e um momento de fraqueza apenas para me fazer questionar atitudes tomadas, decisões acertadas comigo mesmo. Sensação boa, e ao mesmo tempo, ruidosa. Felicidade deprimente, conclusão: me trai. Tudo porque não sou personagem, mas em minha descrição posso ler passional e intensa, e não consigo incorporar ao texto o vocábulo equilibrada, nunca pertencente a mim. 
Continuo orgulhosa, porém. Dos meses que me reestruturei, das falas que aprendi a desdobrar. Admitindo que foi uma brincadeira, o delírio de uma noite alcoolizada. E foi bom, foi ótimo. Estremecida quando em contato com a sua voz, de uma alegria incontida. Porém fugaz, fraca, sem abraçar por completo a causa de que a saudade que mais dói é essa, a de não poder operar em nada para que por fim, as coisas mudem. Você se toque, sinta a tal falta, ligue a qualquer hora. Reconheça minha habilidade em viver e destemer o destino, a high way, o desconhecido; intensa.
Porque se você colocar o seu orgulho no lixo, eu afogo o meu no ralo do banheiro. Me afago nos teus braços, e me rendo. Se renda também. E eu podia soltar a mão do orgulho, de vez, se ao mesmo tempo você fizesse isso também. Como bandidos, sem munição: armas ao chãoSabendo que meu maior recurso é o sorriso no rosto, e a pele dourado é então verão, e que o orgulho seja de mim mesma, assim como o amor se tornou próprio. Pra que a gente também nunca atire um contra o outro essa vaidade toda, dos nossos egos superlativos. Mesmo em trajetos contrários, tornar o corpo para trás e atirar ao longe fere, fere e fere. Quando acerta.